
Dia 5 deste mês dirijo-me para o Conservatório, exame às 14.30, tempo para almoço é nulo, a voz tem de estar apurada. Entro e sim, sente-se que o edifício em si impõe respeito. Estava à espera de pessoas ásperas, mas o que encontrei foi bem diferente. Uma senhora coordenava amavelmente os alunos para as respectivas salas; depois de perdida a timidez, os futuros músicos conversavam entre si, apoiando-se e falando das suas experiências enquanto músicos. Chega o momento – para todos os que costumam cantar, aconselho acompanhante pianista ou que saibam tocar piano porque podem aquecer a voz numa sala antes de entrar para a prova – passamos a porta, quatro professores são o júri que nos espera, no meu caso estava mais uma professora de piano que iria ser a minha acompanhante. Depois de uma breve entrevista, leia-se “porque é que está aqui?”, apresentamos a nossa peça. Os nervos imperam agora, trememos ao enfrentar esta barreira. A peça termina – ou não, depende do que pedirem. Os pianistas, por exemplo, não chegam a tocar tudo o que é obrigatório, mesmo assim convém saberem tudo –, voltamos a sentarmo-nos ao pé dos nossos avaliadores. No caso da prova de canto pedem para que realizemos vocalizos e depois, acho que esta prova é para todos, mas é elaborada de formas diferentes, existe um teste de ritmos (algo simples, muito simples mesmo) e, no meu caso, terminei num “jogo” de repetições, em que um professor cantava algo e eu tinha que repetir.
Quando saímos todos nos perguntam como correu, todos nos sorriem quando dizemos que correu bem ou razoavelmente bem. Saímos mais leves, com o sabor de missão cumprida. Será que entrámos, isso já não é tão importante, conseguimos ir lá e mostrar do que somos capazes. Agora só dia 27 é que nos preocupamos de novo.
Shadow